medo de morrer

Fiz psicoterapia durante alguns anos, e a decisão de procurar um novo terapeuta foi dura mas importante.

Cheguei à Patrícia numa altura em que o meu medo de morrer se mascarava em crises de ansiedade e ataques de pânico constantes. Na altura essas crises não tinham nome e levaram-me várias vezes ao hospital. No dia-a-dia, o pensamento acelerado e trágico tiravam-me toda a minha qualidade de vida.

No meio deste processo, descobri que tinha endometriose, uma doença crónica com desafios diários de gestão de dor.

Ser acompanhada por alguém que conhece profundamente esta doença e as implicações que ela tem em todas as esferas da minha vida, não tem preço.
E ter uma terapeuta que me ajuda a desconstruir os meus medos, de forma adulta e responsável, enquanto está atenta a todos os sinais de alerta, é um descanso.

Apresentou-me ao neurofeedback, com a certeza de que me ia ajudar na gestão da minha ansiedade e acertou. Faço-o em completo às nossas sessões. As crises graves desapareceram por completo e hoje reconheço todos os sinais da ansiedade a instalar-se, não sendo apanhada de surpresa. Controlo, era o que eu e o meu cérebro precisávamos.

Com a Patrícia descobri também como ganhar distância emocional dos meus problemas, aceitei o silêncio como algo necessário e importante para mim, e fez-me entender que “a vida começa quando nos pomos em primeiro lugar”. Não me deixa desresponsabilizar-me pela conquista dos meus medos, e convida-me a sentar-me com eles, sozinha. As sessões são profundas, certeiras. Mas empodera-me com a certeza de que é fora delas, na contemplação, que o maior trabalho acontece.

Sinto todos os dias que o nosso trabalho em conjunto me ajuda a tomar decisões conscientes que não vêm de um lugar de medo, e estou-lhe profundamente grata por isso.

Ângela Silva

para cima