Sabe quando o seu filho está tão embrenhado a ler, a desenhar ou a brincar que nem ouve quando o chamam? O mais provável é que esteja em transe. As crianças são peritas em entrar em transe naturalmente, em criar uma experiência dissociativa que os leva por cenários imaginários enquanto lutam contra “os maus” ou são lindas princesas em castelos brilhantes.

Diz-se que a nossa mente analítica funciona por blocos de 90 a 120 minutos. Findo esse período, é possível que a nossa atenção se perca um bocadinho ou que demos por nós a “sonhar acordados” – é uma espécie de intervalo ou pausa do nosso cérebro, antes de retomar o foco, comutando o domínio das suas partes analítica e criativa. O estado de transe ocorre quando a parte mais criativa está mais activa e influente, o que é fácil para as crianças e faz delas ótimos sujeitos para este tipo de terapia, com respostas rápidas e sessões habitualmente divertidas.

Entre os casos habituais em crianças e adolescentes contam-se: perturbações de sono, perturbações de ansiedade várias (o roer de unhas, o arrancar de cabelos, fazer xixi na cama, o corar, etc.) ou questões associadas ao desempenho e à performance (na escola ou no desporto).

A hipnoterapia pode ainda beneficiar crianças com dificuldade de foco e atenção, se bem que estas, na minha prática, terão sempre de trabalhadas em conjunto com questões de re-estruturação no quotidiano da criança (e no seio familiar).

Se a criança tiver até 14-16anos, a primeira sessão costuma acontecer com a presença (intercalada) dos pais.